segunda-feira, 30 de maio de 2011

segunda-feira, 9 de maio de 2011

“O acaso rege coisas importantes” - Um Tributo à Roberto Muggiati

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“O acaso rege coisas importantes”




Roberto Muggiati, escritor e jornalista






Publicado em 09/05/2011 na Gazeta do Povo
Irinêo Baptista Netto


Roberto Muggiati é um Moisés, um Maomé da História. Ele viu coisas extraordinárias e viveu para contá-las. Escreveu uma dezena de livros, falando sobre jazz, blues e rock. Um dos personagens do seu único romance, A Contorcionista Mongol (Record, 2000), é um anti-herói quixotesco, uma boa definição do próprio autor.






O jornalista de 73 anos trabalhou para a BBC em Londres, ajudou a criar a revista Veja e trabalhou na extinta Manchete. Começou a carreira na Gazeta do Povo e hoje colabora de vez quando com o jornal, escrevendo textos acachapantes de sua casa, no Rio de Janeiro.






Gerações de leitores brasileiros conhecem a tradução que fez para O Grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald. Também verteu John Fante, de Pergunte ao Pó, para o português. Hoje, às 19 horas, Muggiati assume a cadeira número 33 na Academia Paranaense de Letras, em cerimônia para convidados no Paço da Liberdade – Sesc Paraná. A APL tem hoje 40 intelectuais, entre eles Laurentino Gomes, autor de 1808.






Nas respostas (geniais) a seguir, Muggiati fala de vida, morte e das coisas que acontecem entre uma e outra.






Espero que me perdoe, mas co­­meço a entrevista com uma questão típica daqueles questionários corporativos: “Descreva a sua personalidade”.






Alma de espião. Na BBC de Londres, certa noite, eu e um colega invadimos o escritório dos chefes. Li o meu dossiê corporativo. Dizia que eu era um cara genial, mas tinha um grave defeito: era “self-effacing”. Ou seja, eu me autoapagava. Segui em frente na maratona profissional e, para quem vê de fora, me dei bem. Mas continuo “low-profile”, achando cansativo vender o meu peixe.






Acho que sou discretamente cordial, suave, envolvente, inseguro, indeciso nas relações afetivas, te­­mendo a “prisão” do casamento e a insatisfação das relações múltiplas.






Amante dos animais – convivo a maior parte do tempo com três ca­­delas e três gatos.






Amante do trabalho, meu refúgio predileto.






À espera da morte, como todos nós, torcendo um pouquinho para que ela me esqueça...






O senhor passou dos 70, não? É uma questão meio “Kung Fu e Gafanhoto”, mas qual é a melhor coisa da idade?






Faço 74 em outubro. Idade é fatalidade, você não a escolhe. Paul Nizan abre Aden-Arabie com a frase: “Eu tinha vinte anos. Não deixarei ninguém dizer que é a idade mais bela da vida.” Eu, aos 20 anos, não me sentia tão bem quanto agora. De Gaulle proclamou: “A velhice é um naufrágio.” Existem velhos que chegam muito velhos à velhice. Prefiro fechar os olhos ao tempo. Superei a Síndrome de Peter Pan, negando o envelhecimento. Agora, mais ambicioso, passei a namorar a Síndrome de Benjamin Button. No conto de Scott Fitzgerald [“O Curioso Caso de Benjamin Button”], o sujeito nasce “aparentemente com cerca de setenta anos de idade.” A partir daí Button começa a regredir na idade. Fazendo os cálculos, como fiz 70 anos em 2007, vou completar, na contagem regressiva buttoniana, 66 anos no dia 6 de outubro. Em 2027, festejarei meus 50 anos. Em 2057 voltarei aos 20. Claro, não passa de uma fantasia. A realidade biológica é implacável. Mas, não importa a idade, tudo estará bem se você for lascivo, larápio, lépido, libidinoso, literário, lúdico e lúcido.




Ainda tem paciência para perseguir novidades na música, na literatura e no cinema?




Estou aberto a novidades, mas às vezes rever um clássico acaba sendo uma novidade. No cinema, na música. Já a literatura é um mundo imenso e gosto de imaginar que ainda me resta tempo para reler o Proust, reler Shakespeare, A Ilha do Tesouro, Os Três Mosqueteiros, para ler todo o Simenon, todo o Henry James, ler e reler o Dalton e o Salinger (baixei recentemente 22 contos dele inéditos...) É uma espécie de arrogância, principalmente quando sei que vou passar a maior parte do tempo escrevendo como pena de aluguel, sem muito tempo para ler.




Existe algo na música – de qualquer época – que ainda consegue comovê-lo? (E escrevo “ainda” porque, depois de ver Coltrane e Miles Davis ao vivo, imagino se todo o resto não soa um pouco banal.)




Sim, ver e ouvir de perto Miles, Coltrane, Cannonball, Ellington, Monk, Bud Powell, Dexter Gordon, Roland Kirk é coisa de um valor extremo. Mas, ainda é possível vibrar com o “som da surpresa”, como aconteceu comigo há um mês, com o piano solo do Keith Jarrett no Municipal do Rio.




Ouvi dizer que, na juventude, o senhor largou tudo para ir viver uma paixão em Paris. Seria capaz de fazer a mesma coisa hoje?




Na verdade, fui morar em Paris com uma idée fixe. Imaginem um cara de 23 anos que pega um avião e se instala num hotelzinho na Île de la Cité, com a cabeça feita pelos filmes da nouvelle vague: Les Amants, À Bout de Souffle, Ascenseur pour L’Échafaud, Les Liaisons Dangereuses [títulos originais de Os Amantes, Acossado, Ascensor para o Cadafalso e As Ligações Amorosas]... Jeanne Moreau, Brigitte Bardot, Françoise Arnoul, Marina Vlady, amando ao som visceral de jazz moderno. A paixão aconteceu por mera força da gravidade, quando conheci uma baiana desterrada com todo o charme e veneno da parisiense.


Sim, seria capaz de fazer a mesma coisa sempre. A gente nunca aprende. Por quê?


Sei lá...


Qual é o aspecto que mais o agrada na experiência de assumir uma cadeira na Academia Paranaense de Letras?






O fato de ser o 300.000.001.º membro da instituição (parodiando o Dalton Trevisan, que, na crônica “Em Busca da Curitiba Perdida”, diz que somos 300 milhões de acadêmicos...) Na verdade, a Academia representa um vínculo com minha terra natal, uma espécie de volta à minha Curitiba perdida.




Sua bibliografia parece um reflexo de suas preferências. Jazz, blues, Fitzgerald, Fante, Lennon, saxofone, mais jazz, Poe... Existe algo que gostaria de escrever e ainda não o fez?




Existe o Roberto Muggiati que viveu momentos-chave do mundo no lugar certo na hora certa como um Forrest Gump e foi até aqui uma espécie de Zelig da literatura, um ente camaleônico que ainda precisa escrever sua própria história e inventar sua própria ficção. Embora não haja coisa mais tênue do que a fronteira entre fato e ficção...


Está trabalhando em algum livro no momento?


Esporadicamente, escrevo minhas memórias. Aqui mesmo, estou contando coisas que ainda não contei (ou lembrando coisas que ainda não lembrei). Mas tenho anotado em meu computador, num arquivo chamado “opera”, pelo menos 20 ou 30 ideias para romances, livros de contos, de ensaios, etc.


Dos seus livros, existe algum de que mais gosta?




Sim, o único romance, A Contorcionista Mongol. Achei que tinha escrito uma história genial e, como diz o Cony, sintetizando a futilidade do empenho literário, “ninguém tomou providência.” Ninguém tomou sequer conhecimento. Mas continuo achando o livro uma obra-prima. E me consolo com o pensamento de que os três maiores escritores do século 20 morreram na merda, sem saber que o eram: Proust, Kafka e Joyce…


Em Improvisando Soluções, o senhor fala sobre serendipidade e sobre jazz, a arte do improviso. O acaso é um tema que o interessa, não?




A lei da natureza é o caos. Por muito tempo os homens tentaram equacionar a vida segundo fórmulas lógicas e matemáticas. Até mesmo na noção recente mais sofisticada dos fractais. O acaso então rege muitas coisas importantes em nossa vida. É preciso saber reconhecê-lo e encampá-lo no momento certo. Mas não há lógica nisso, vivemos no meio do caos.




PS - Hoje Roberto Muggiati senta em uma das cadeiras da Academia de Letras do Paraná.

"O que mais me deixa envergonhado de ser Paranaense é fato de:

1-Sempre fui fã dos livros do Muggiati.

2-Nunca soube que ela era paranaense e principalmente Curitibano.


3-Este senhor trabalhou na BBC de Londres por décadas e biografou a vida dos maiores músicos do século XX de Hermeto Pascoal a John Coltrane e Karlheinz Stockhaüsen, passando por Mick Jagger , John Lennon e David Bowie.
4 - Mesmo assim com todo esta aparato de conterrâneos ilustres nas letras, o paranaense ainda não aprendeu que ler abre portas e parafraseanso Monteiro Lobato digo e repito mais uma vez:

"UMA NAÇÃO SE FAZ COM HOMENS E LIVROS"

Somente seremos um estado verdadeiramente livre quando todos os Paranaenses lerem, quiça os Brasileiros!

Kadú Guariente

terça-feira, 3 de maio de 2011

Instrumental SESC Brasil - Grupo Ara - Pituá (Dinan Machado) - 24/03/2009

Talvez muitos que vivem em Londrina não conheçam estes dois nomes: Diógenes e Miriam, mas nós músicos que começamos a estudar música em fins dos anos oitenta estes nomes são tão importantes quanto Janete El Haouly o é para o curso de música da UEL e quanto Mizael e Cascavel o foram para o lendário Clube da Esquina na JK .

Simplesmente eles foram professores de música de toda a minha geração em Londrina: Luciano Silva, Valdir Castro, Roberto , Otávio Vazzi , Osmani Jr , entre muitos outros experts na música em Londrina.

Ajudaram a levantar a mistica que existe em diversos clubes noturnos como Bar Valentino , Vilão Bar , Clube da Esquina entre outros que já não existem em Londrina.


Além de ser essêncial que todos conheçam este trabalho importante citar que apesar de Dinam e Miriam não serem Londrinense os mesmos estão tão enraizados na música do norte do Paraná que tive que postar este perfomonce mais que maravilhosa: é simplesmente arrasador a musicalidade destes quatro músicos no palco do Sesc Instrumental.

Kadú Guariente
O Ara é composto por Myriam Hungria e Dinan Machado. O grupo possui mais de vinte anos de pesquisas e experiências no Brasil e exterior. Neste show, eles apresentam repertório do último trabalho, o cd "No Espírito do Tempo". Myriam é violonista, baixista, compositora, arranjadora e produtora musical e participou do grupo Tarancón. Em 1987 forma o grupo Ara com Dinan Machado também instrumentista, compositor, arranjador e produtor.
Só para lembrar : O baterista que acompanha a dupla neste especial do Sesc TV é nada mais que José Henriques Paganini, uma das maiores lendas da Bateria Londrinense, que aqui se demonstra uma performance arrasadora com Dianm e Miriam.


sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Alex Lameira Trio Lança seu primeiro DVD: Bananeira

Falar do meu grande amigo Alex Lameira Neves é tarefa fácil: conheci o Alex lá pelos idos de 1999 quando nos conhecemos nos ensaios da banda do Grupo de Teatro do Cultura Inglesa no bairro do Butantã. Foi ele que me vendeu a minha primeira batera importada uma Yamaha SC verde lindona!(tá montada aqui na sala de minha casa inclusive).Além de seu lado profissional como gerente de produtos da Yamaha que foi e hoje portando uma experiência grande no meio que o levou para a Roland/Edirol, Alex pela lado da música é um profissional completo: dirigiu o coro cênico e vocal do grupo de Teatro do Cultura Inglesa de São Paulo por anos,estudou com Davilson Assis Brasil, se apresentou como guitarrista no Yamaha All Stars mais de uma vez, produziu o CD da Cantora Thais Helena de Santo André, tocou Beatles, Jazz, Fusion..enfim passou por tudo. Mas depois de um encontro místico musical com lendário Itiberê Zwarg o menino decidiu que o negócio dele é o instrumental Brasileiro.

 O Alex Lameira Trio conta com:

Alex Lameira - guitarra e arranjos

André Souto - bateria

Ricardo Andrade - contrabaixo

Que é do video que vocês estão vendo ai abaixo, simplesmente uma versão de Bananeira de João Donato que vocês nunca ouviram.
Música feita com alegria é outra coisa...

domingo, 28 de novembro de 2010

Zé Nazario: O Grande Monstro da Bateria Brasileira!



Posso parecer suspeito para falar de Zé Eduardo Pinto Nazário, pois fui seu aluno durante quatro anos. Só uma palavra resume o ser humano José Eduardo: o cara é um Gentleman! Intelectual, sabe tudo de música, uma ser humano cabeça aberta e acima de tudo sabe inspirar novas gerações tanto para o Jazz quanto para o Rock n Roll. Ter uma aula com é Zé é ter uma aula de arte! diferente de só tocar a bateria. Não se trata apenas de rudimentos, ritmos ou solos de bateria. Trata-se de fazer arte com o seu instrumento. E Zé com sua modestia consegue em uma aula de abrir para tantos conceitos, que um aluno regular como eu , demorei anos para entender as coisas que ele falou!
Aqui neste video vocês entenderão, por que o Zé entende do que faz e do que fala!

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Adolar Marin Trio ao Vivo no Sesc Consolação

Vídeo-Release (7 minutos) do show do Adolar Marin Trio,realizado no Sesc Consolação, em 21.10.2010


http://www.youtube.com/watch?v=CumViH4eEao





Com timbre e repertório novos, e ainda a formação enxuta, esse novo trabalho explora suas raízes primeiras na música, que vem do som das guitarras, e traz uma equação timbrística resolvida pela cozinha musical mais básica: guitarra, baixo e bateria, o power trio que tem no jazz e no rock o seu auge. Por isso o nome, Adolar Marin Trio, que remete diretamente à isso! É no passo na música de Adolar Marin, velho guerrilheiro musical do ABC paulista e um grande representante daquela MPB que ouviamos nos bares na década de 80. Com influências tanto do Clube da Esquina de Milton e Lô Borges, como da verve paulistana de Eduardo Gudim , Arnaldo Baptista, Zé Rodrix e demais lendas da nossa música brasileira.


Esse show irá rodar algumas cidades em 2011.

Por isso o Sul e o centro oeste que aguardem, pois com Adolar Marin o show é garantido!

PS-O video não esta incorporado aqui por razões de direito autoral.

Abraço á todos
Kadú Guariente



http://www.youtube.com/watch?v=CumViH4eEao

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Blog Curitibano: Casa Nova ..e Agora?



Imaginem um blog no estilo do programa "Larica Total" para guerrilheiros solitários ou recém unidos pelos laços do seu "namorido" ou "espodada" ? (hehe..eu tô tão engraçado últimamente..)

Pois é isso que a nossa colega marqueteira Celi Bonete de plantão Celi Bonete cometeu no

http://www.casanovaeagora.wordpress.com

Lá , além de "apetrechos" interessantes e úteis como desumificadores de ambientes, ela passa receitas de bolos, comidinhas de ocasião, dá dicas de compra para eletrodomesticos "linha branca" e até produtos curiosos e úteis das lojas de 1,99.

Pois é, quando a gente acha que já inventaram tudo, vem um e bummmm! Coloca todas as coisas da sua casa em ordem sem precisar de gastar em acessorias.

Por isso é que eu digo: guerrilheiro se vira como pode e como dá..